Arquivo de Fevereiro, 2006

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Crónicas de Viagem IV – A prima

Fevereiro 28, 2006

Esta pequena história realça uma certa ingenuidade minha e falta de preparação que os livros escolares estão longe de colmatar. Como não sei se alguém que protagonizou (ou esteve próximo) lerá este texto, não situarei a narração no espaço e no tempo e referir-me-ei apenas ao local, como algures no sul de França, numa noite igual a tantas outras, se para mim não encerrasse alguma revelação. Aconteceu, após uma saída para desentorpecer as pernas e readquirir o equilíbrio (navegar três meses consecutivos faz-nos ter outros pontos de referência e, quando em terra inclinamos a cabeça, inclinamos também o corpo – o cardin ainda não tinha inventado o sistema). A cara do chaufeur que nos transportava da cidade ao cais era de poucos amigos, quando o cumprimentei com toda a educação, incluindo o tão apreciado, pelos franceses, aperto de mão, dando logo ali a entender de que se teria passado algo que me passou despercebido, já que fui um dos últimos a entrar no autocarro. O marinheiro aprontou-se a pedir-me desculpa (uma vez que eu era o único oficial presente no autocarro) e que pretendia levar a prima que vivia na região e se não viam há anos, desde pequeninos, “lembras-te quando brincávamos às escondidas no quintal da avó?”, recordações de infância, forjadas, está claro, que este marinheiro não só falava muito bem francês como era um pintas do caraças e pensava que tinha enganado o motorista do bus tal como me estava a enfiar o gorro a mim. Eu respondi-lhe que isso não era comigo – e efectivamente não era, pois não tinha qualquer poder de decisão sobre quem poderia ou não entrar a bordo – e que ele deveria solicitar autorização ao comandante ou ao imediato quando chegasse ao navio. Soe dizer neste momento que assumi a responsabilidade perante o motorista e, mais importante ainda, é necessário dizer também que ele tinha uma prima lindíssima, que arreava bem, boa como o milho, em suma era uma bomba!
Mais tarde vim a saber que esta era uma prima muito sui generis e muito danada para a brincadeira. Eu entrei de quarto (de serviço, para quem não está familiarizado com a linguagem) à meia-noite, não mais me lembrei da prima, mas a bordo as notícias correm céleres. Quando fui render o meu amigo M, ao contrário de estar chateado por eu ter ido a terra e ele ter ficado a bulir, os seus olhos brilhavam – não sei se brilhavam ou se me fulminavam por eu não ter chegado há mais tempo – e, antes que eu o inquirisse pelo ponto da situação foi ele quem me perguntou de imediato pela puta. Só nesse momento, juro, é que percebi porque é que o marinheiro tinha convidado a “prima” a ir ao navio. É que na verdade a menina no dia seguinte iria de ter de fazer umas compras no Lafayette e os marinheiros iriam de ter de ir fazer outra viagem de alguns meses a olhar uns para os outros. Mas os livros na Escola Náutica, não nos ensinam esta matéria.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

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Crónicas de Viagem IV – A prima

Fevereiro 28, 2006

Esta pequena história realça uma certa ingenuidade minha e falta de preparação que os livros escolares estão longe de colmatar. Como não sei se alguém que protagonizou (ou esteve próximo) lerá este texto, não situarei a narração no espaço e no tempo e referir-me-ei apenas ao local, como algures no sul de França, numa noite igual a tantas outras, se para mim não encerrasse alguma revelação. Aconteceu, após uma saída para desentorpecer as pernas e readquirir o equilíbrio (navegar três meses consecutivos faz-nos ter outros pontos de referência e, quando em terra inclinamos a cabeça, inclinamos também o corpo – o cardin ainda não tinha inventado o sistema). A cara do chaufeur que nos transportava da cidade ao cais era de poucos amigos, quando o cumprimentei com toda a educação, incluindo o tão apreciado, pelos franceses, aperto de mão, dando logo ali a entender de que se teria passado algo que me passou despercebido, já que fui um dos últimos a entrar no autocarro. O marinheiro aprontou-se a pedir-me desculpa (uma vez que eu era o único oficial presente no autocarro) e que pretendia levar a prima que vivia na região e se não viam há anos, desde pequeninos, “lembras-te quando brincávamos às escondidas no quintal da avó?â€, recordações de infância, forjadas, está claro, que este marinheiro não só falava muito bem francês como era um pintas do caraças e pensava que tinha enganado o motorista do bus tal como me estava a enfiar o gorro a mim. Eu respondi-lhe que isso não era comigo – e efectivamente não era, pois não tinha qualquer poder de decisão sobre quem poderia ou não entrar a bordo – e que ele deveria solicitar autorização ao comandante ou ao imediato quando chegasse ao navio. Soe dizer neste momento que assumi a responsabilidade perante o motorista e, mais importante ainda, é necessário dizer também que ele tinha uma prima lindíssima, que arreava bem, boa como o milho, em suma era uma bomba!
Mais tarde vim a saber que esta era uma prima muito sui generis e muito danada para a brincadeira. Eu entrei de quarto (de serviço, para quem não está familiarizado com a linguagem) à meia-noite, não mais me lembrei da prima, mas a bordo as notícias correm céleres. Quando fui render o meu amigo M, ao contrário de estar chateado por eu ter ido a terra e ele ter ficado a bulir, os seus olhos brilhavam – não sei se brilhavam ou se me fulminavam por eu não ter chegado há mais tempo – e, antes que eu o inquirisse pelo ponto da situação foi ele quem me perguntou de imediato pela puta. Só nesse momento, juro, é que percebi porque é que o marinheiro tinha convidado a “prima†a ir ao navio. É que na verdade a menina no dia seguinte iria de ter de fazer umas compras no Lafayette e os marinheiros iriam de ter de ir fazer outra viagem de alguns meses a olhar uns para os outros. Mas os livros na Escola Náutica, não nos ensinam esta matéria.

O PreDatado, in Crónicas de Viagem

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ai que horror de vida!!!

Fevereiro 28, 2006

entre a mala escancarada no escritório, a vacina do tétano que não estava em dia, procurar o boletim da febre amarela, e as saídas de praia que não as encontro? calções! preciso de imensos calções, camisolas com alças, cuecas… quantas cuecas levarei? ai, não me posso esquecer dos biquinis! e os chinelos! as máquinas fotográficas! ainda tenho de despejar um cartão que está cheio de fotos da Tunísia! e as plantas? quem me virá cuidar das plantas? e os peixinhos?
aiiiiiiiii, que daqui a pouco tenho um esgotamento!!!

ps: Jorge, ma boy, a morena que mexe o chocalho… vive aqui em casa. um dia me dirás se é verdade ou não!

aNa (tinha-me esquecido quem era :D )

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Carnaval de Veneza – lady with black rose

Fevereiro 28, 2006

lady with black rose - stefan nielsen.jpg
Foto:Stefan Nielsen

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Proposta de cartoon (cartune!?)

Fevereiro 27, 2006

Tivesse eu o talento do Raim e hoje o que vocês veriam aqui seria um cartoon com o Vitor Baía de máscara, com cara confiante, porque teria acabado de evitar um monumental frango!

Como não tenho esse extraordinário talento que é desenhar (apenas consigo fazer linhas rectas com uma régua) fica aqui a ideia.

PS: É verdade… este post é uma celebração da vitória de ontem! :) Grande Benfica! (agora quero ver se continuam assim!)

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Contos da minha janela I – o fumo

Fevereiro 27, 2006

A rapariga senta-se no pequeno muro. Com uma camisola de gola alta e um casaco comprido, ambos bejes, umas calças de ganga boca de sino, e umas sapatilhas castanhas. Parece insensível ao frio que a rodeia. As poucas folhas que ainda povoam o passeio, confundem-se com ela, tristes, abandonadas.

Tira do bolso uma daquelas carteiras em pele que a impedem de ver o aviso: “Fumar mata!”. Tira de lá um cigarro, pelo tamanho deve ser um Marlboro 100’s. Coloca o cigarro nos lábios, languidamente. Fica alguns instantes assim, pensativa.

Depois tira um isqueiro prateado e fica a olhar para ele. Estará a ver a sua imagem reflectida no espelho? Não creio, deve estar a pensar naquele rapaz que lho ofereceu, há alguns dias. Sim, esta era a primeira vez que ela fumava sozinha. Antes, todas as segundas, quartas e quintas, encontravam-se os dois e fumavam um cigarro, juntos. Cada um dava uma passa, alternadamente. A última passa era dada por ele, passando-lhe o fumo num beijo final, antes de saírem de mãos dadas.

Hoje ela está sozinha. Acende finalmente o cigarro. O seu olhar parece distante. Os lábios vão sorvendo, lentamente, o fumo, para depois, de forma calma, se moldarem, de forma a saírem, em cadência, pequenas argolas de fumo.

Subitamente, uma das argolas deforma-se, e ganha a forma de um coração. É nesse momento que uma lágrima escorre pela sua face. Baixa a cabeça, deixando cair os seus longos cabelos para a frente, ficando alguns momentos assim.

Depois, levanta a cabeça, limpa com a mão esquerda as lágrimas, enquanto na outra mão coloca o resto do cigarro, entre os dedos polegar e médio, de modo a atirá-lo para longe. Levanta-se e segue o mesmo caminho de sempre.

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50.000 visitas

Fevereiro 27, 2006

Ontem chegámos às 50.000 visitas.
Obrigado a todos os que nos têm visitado.

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Foto daqui.

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Ante & Post. Rolling Lives

Fevereiro 27, 2006

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As fotos e o título são do Cochofel, as pernas não. Nada é meu. A não ser esta mesma impressão de uma rolling life. Com sorte, a massa aumenta, a velocidade reduz, mas o sentido continua ascendente. Sabem que mais, e=mc² !

Lilly Rose

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Ante & Post. Rolling Lives

Fevereiro 27, 2006

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As fotos e o título são do Cochofel, as pernas não. Nada é meu. A não ser esta mesma impressão de uma rolling life. Com sorte, a massa aumenta, a velocidade reduz, mas o sentido continua ascendente. Sabem que mais, e=mc² !

Lilly Rose

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Ante & Post. Rolling Lives

Fevereiro 27, 2006

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As fotos e o título são do Cochofel, as pernas não. Nada é meu. A não ser esta mesma impressão de uma rolling life. Com sorte, a massa aumenta, a velocidade reduz, mas o sentido continua ascendente. Sabem que mais, e=mc² !

Lilly Rose

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Ante & Post. Rolling Lives

Fevereiro 27, 2006

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aac.jpg

As fotos e o título são do Cochofel, as pernas não. Nada é meu. A não ser esta mesma impressão de uma rolling life. Com sorte, a massa aumenta, a velocidade reduz, mas o sentido continua ascendente. Sabem que mais, e=mc² !

Lilly Rose

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Rough Road

Fevereiro 27, 2006

Rough Road
Foto: Augusto Peixoto

Andrade

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Crime – Castigo

Fevereiro 26, 2006

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14 menores no crime

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Porque o beijo é muito importante …

Fevereiro 26, 2006

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Photo © Alex Nubocov

… principalmente, quando a partir de um único beijo, nos entregamos, inteiros, a outros desejos.
Os lábios, os dentes, a lingua. Num bailado molhado, ao ritmo dos corpos.

Jaguar

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Porque o beijo é muito importante …

Fevereiro 26, 2006

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Photo © Alex Nubocov

… principalmente, quando a partir de um único beijo, nos entregamos, inteiros, a outros desejos.
Os lábios, os dentes, a lingua. Num bailado molhado, ao ritmo dos corpos.

Jaguar