
Foto: Ehsan Shahin Sefa
… ainda estou a trabalhar!
Desejo-vos, um belssimo fim de semana!


Foto: Ehsan Shahin Sefa
… ainda estou a trabalhar!
Desejo-vos, um belssimo fim de semana!


Foto: Ehsan Shahin Sefa
… ainda estou a trabalhar!
Desejo-vos, um belíssimo fim de semana!

Fui num dia de incio de vero que cheguei pela primeira vez empresa onde hoje trabalho. Estava a aproximar-se o final da manh, e tinhamos que nos despachar para chegar a tempo de conversar com o responsvel sobre os nossos estgios. O professor de Tecnologias aplicadas tinha-me proposto a mim e Erica para o estgio da ps-graduao que estvamos a concluir. Normalmente estes estgios no eram feitos em empresas. Quase todos os outros colegas foram para alguma instituio pblica.
L encontramos o boss (ainda o mesmo e iro sempre ouvir-me chamar-lhe Boss ou Doc), uma secretria de duas pernas, a Aurora D’Lima como fazia questo de escrever e dois marmanjos da informtica, o Antnio (grande maluco) e o Srgio (outro grande maluco). Conversa vai, conversa vem… acordmos os termos do estgio e as nossas tarefas e passados alguns dias demos incio ao dito. Confesso que o estgio correu-me particularmente bem. Sou um tipo bem disposto e desenrascado e o tema (novas tecnologias aplicadas minha rea de formao) era ouro sobre azul. Mais algumas semanas numa conferncia na Faculdade de Belas Artes do Porto seria surpreendido por um convite para comear a trabalhar a tempo inteiro na empresa. Foi o delrio, meus caros!
Na altura estava desempregadssimo. Tinha estado a trabalhar no Museu de Aveiro com um empenho e dedicao que s percebo pelo gosto que tinha em trabalhar naquele museu e com aquela equipa, mas como no existiam lugares no quadro, no havia a possibilidade de eu continuar indefenidamente em contratos a tempo certo, a recibos verdes, ou nos eternos estgios profissionais que fazem baixar o nmero de desempregados do pas. Ento a coisa chegou mesmo no tempo certo. Um emprego com perspectivas de futuro e que juntava as minhas duas reas de predileco: patrimnio e novas tecnologias. Melhor no podia, no ?
Nesta empresa conheci pessoas extraordinrias. O Antnio, conhecido para os lados de Campanh como o Toninho Maluco, foi e ainda o meu mestre nas questes tecnolgicas. Se hoje sei o que desenvolver uma aplicao em Visual Basic fruto da sua pacincia. O Srgio e a Aurora tinham sempre as mais acessas discusses sobre Sky Alpino, futebol, gajas e as suas merdas, viagens, carros, etc. e permitiam que todos os outros se matassem a rir com os disparates todos que diziam. O Srgio, justo diz-lo era tambm mestre para outras coisas da informtica. Depois comearam a chegar mais pessoas. O primeiro foi o Paulo. Como que algum consegue descrever um amigo destes. daquelas pessoas que nos faz rir mesmo quando est terrivelmente mal disposto nas manhs de segunda-feira. Era um conhecido de um outro emprego, mas depressa se tornou um amigalhao. Agora est em Madrid a trabalhar, mas continua a ser um de ns. Logo a seguir ao Paulo, chegou a Natlia. Veio para a empresa exactamente como eu. Era colega da mesma ps-graduao. No entanto, sempre no teve que aguentar as secas monumentais dos informticos que eu aguentei. Na altura j lhe conseguia traduzir e decifrar quase tudo que eles diziam. A Natlia, para alm de uma excelente amiga, o meu brao direito. A “partener” como ela se auto denomina
. Por fim chegaram a Maria (a trapalhona da casa, mas como designer a malta desconta-lhe a maior parte), a Snia (que percebe de computadores, mas no sabe dizer no a tudo que lhe pedem), o Hugo (mais um grande maluco, mas j estamos habituados), a Margarida (que tem a belssima mania do tudo organizadinho com as CI e controla as finanas da casa com o Boss), o Ado (que tem tambm uma pastelaria e faz uns bolos que nem vos conto) entre alguns estagirios que no ficaram por c, dos quais destaco a Slvia (nos ltimos tempos esteve no Botswana numa aco humanitria). Recentemente chegou uma nova estagiria, a Elisabete… a ver vamos como corre.
Mas hoje falo-vos da minha empresa (e digo minha porque a considero um pouco assim) porque comemoramos 10 anos de existncia. Anos de muito trabalho e empenho, de momentos maus e momentos bons (mais destes felizmente), de entendimentos de desentendimentos, de clientes novos e de projectos aliciantes. Dez anos (para mim apenas sete) que parecem ter passado a correr nas palavras do Doc. Bem o percebo. Esta empresa para ele um projecto de vida, quase um filho. Desde que o conheo que uma das grandes preocupaes fazer com que cada um de ns seja amigo de todos os outros, porque acredita que s assim pode ter uma boa equipa que se apoia mutuamente e procura ultrapassar todos os obstculos, sendo certo que a maior parte da responsabilidade est sobre os ombros dele. No dar graxa, no preciso de o fazer felizmente, mas tambm um amigalhao o Boss, muito mais do que um patro.
Por fim meus caros este fim de semana dedicado empresa. Vamos para Tomar (uns copos) partir a loua toda e divertir-nos com as tiradas surreais da Maria aps o primeiro gole de sangria de champagne!

Fui num dia de início de verão que cheguei pela primeira vez à empresa onde hoje trabalho. Estava a aproximar-se o final da manhã, e tinhamos que nos despachar para chegar a tempo de conversar com o responsável sobre os nossos estágios. O professor de Tecnologias aplicadas tinha-me proposto a mim e à Erica para o estágio da pós-graduação que estávamos a concluir. Normalmente estes estágios não eram feitos em empresas. Quase todos os outros colegas foram para alguma instituição pública.
Lá encontramos o boss (ainda é o mesmo e irão sempre ouvir-me chamar-lhe Boss ou Doc), uma secretária de duas pernas, a Aurora D’Lima como fazia questão de escrever e dois marmanjos da informática, o António (grande maluco) e o Sérgio (outro grande maluco). Conversa vai, conversa vem… acordámos os termos do estágio e as nossas tarefas e passados alguns dias demos início ao dito. Confesso que o estágio correu-me particularmente bem. Sou um tipo bem disposto e desenrascado e o tema (novas tecnologias aplicadas à minha área de formação) era ouro sobre azul. Mais algumas semanas numa conferência na Faculdade de Belas Artes do Porto seria surpreendido por um convite para começar a trabalhar a tempo inteiro na empresa. Foi o delírio, meus caros!
Na altura estava desempregadíssimo. Tinha estado a trabalhar no Museu de Aveiro com um empenho e dedicação que só percebo pelo gosto que tinha em trabalhar naquele museu e com aquela equipa, mas como não existiam lugares no quadro, não havia a possibilidade de eu continuar indefenidamente em contratos a tempo certo, a recibos verdes, ou nos eternos estágios profissionais que fazem baixar o número de desempregados do país. Então a coisa chegou mesmo no tempo certo. Um emprego com perspectivas de futuro e que juntava as minhas duas áreas de predilecção: património e novas tecnologias. Melhor não podia, não é?
Nesta empresa conheci pessoas extraordinárias. O António, conhecido para os lados de Campanhã como o Toninho Maluco, foi e ainda é o meu mestre nas questões tecnológicas. Se hoje sei o que é desenvolver uma aplicação em Visual Basic é fruto da sua paciência. O Sérgio e a Aurora tinham sempre as mais acessas discussões sobre Sky Alpino, futebol, gajas e as suas merdas, viagens, carros, etc. e permitiam que todos os outros se matassem a rir com os disparates todos que diziam. O Sérgio, é justo dizê-lo era também mestre para outras coisas da informática. Depois começaram a chegar mais pessoas. O primeiro foi o Paulo. Como é que alguém consegue descrever um amigo destes. É daquelas pessoas que nos faz rir mesmo quando está terrivelmente mal disposto nas manhãs de segunda-feira. Era um conhecido de um outro emprego, mas depressa se tornou um amigalhaço. Agora está em Madrid a trabalhar, mas continua a ser um de nós. Logo a seguir ao Paulo, chegou a Natália. Veio para a empresa exactamente como eu. Era colega da mesma pós-graduação. No entanto, sempre não teve que aguentar as secas monumentais dos informáticos que eu aguentei. Na altura já lhe conseguia traduzir e decifrar quase tudo que eles diziam. A Natália, para além de uma excelente amiga, é o meu braço direito. A “partener” como ela se auto denomina
. Por fim chegaram a Maria (a trapalhona da casa, mas como é designer a malta desconta-lhe a maior parte), a Sónia (que percebe de computadores, mas não sabe dizer não a tudo que lhe pedem), o Hugo (mais um grande maluco, mas já estamos habituados), a Margarida (que tem a belíssima mania do tudo organizadinho com as CI e controla as finanças da casa com o Boss), o Adão (que tem também uma pastelaria e faz uns bolos que nem vos conto) entre alguns estagiários que não ficaram por cá, dos quais destaco a Sílvia (nos últimos tempos esteve no Botswana numa acção humanitária). Recentemente chegou uma nova estagiária, a Elisabete… a ver vamos como corre.
Mas hoje falo-vos da minha empresa (e digo minha porque a considero um pouco assim) porque comemoramos 10 anos de existência. Anos de muito trabalho e empenho, de momentos maus e momentos bons (mais destes felizmente), de entendimentos de desentendimentos, de clientes novos e de projectos aliciantes. Dez anos (para mim apenas sete) que parecem ter passado a correr nas palavras do Doc. Bem o percebo. Esta empresa é para ele um projecto de vida, quase um filho. Desde que o conheço que uma das grandes preocupações é fazer com que cada um de nós seja amigo de todos os outros, porque acredita que só assim pode ter uma boa equipa que se apoia mutuamente e procura ultrapassar todos os obstáculos, sendo certo que a maior parte da responsabilidade está sobre os ombros dele. Não é dar graxa, não preciso de o fazer felizmente, mas é também um amigalhaço o Boss, muito mais do que um patrão.
Por fim meus caros este fim de semana é dedicado à empresa. Vamos para Tomar (uns copos) partir a louça toda e divertir-nos com as tiradas surreais da Maria após o primeiro gole de sangria de champagne!


Foto: Lyubomir Bukov
Não é do sangue, encarnado,
Do luso estandarte imitado,
Nem do licor de Baco, rubi.
Quando os como ao pé de ti
Sinto-me inflamado.
Teus lábios fazem lembrar
Desejos de boca, beijar
Misturá-lo com baton
E não é tudo o que de bom
O morango tem p’ra dar.
*
Quando em calda, já batido
Ou no sorvete servido,
Lembram-me coisas então…
E não é menor tesão
Pensar sobre ti vertido:
Um morango no umbigo
E eu juntinho contigo
Encostado até esmagar
E no seu soro navegar
Numa rota de vertigo.
*
Voltando à cor, afinal
Que era o tema principal,
Do diabo foi herdada.
E a rima desviada,
Creiam que não foi por mal.
Mas não paro de pensar
Nos teus lábios eu poisar
Um morango bem maduro,
Cortar a luz e no escuro
Ficarmos a namorar.

Dizia-se que a gua do poo era santa, quem dela bebesse, os seus males curava. Era uma gua nica. Diziam os filhos da terra que de Vero era fresquinha e que de Inverno at fumegava. O progresso chegou e trouxe consigo a gua canalizada, mas o povo no esqueceu o poo. Todos os dias bebiam pelo menos um copo da sua gua, quando estavam doentes, bebiam toda a que podiam.
Mas o poo estava ao lado de uma manso abandona. Um dia, um forasteiro comprou a casa, e com ela o poo, e mudou-se para l. Era um homem da cidade, que resolvera ir respirar ares menos poludos.
No primeiro dia que chegou l, viu algumas pessoas irem buscar gua. Mandou-os embora. Eles no obedeceram, que a gua do poo era de todos. Perante os seus ares ameaadores, recuou.
Na semana seguinte, comeou a ser erigido um muro volta da casa e do poo. Numa semana ficou pronto. No dia seguinte, deitaram abaixo parte do muro, junto ao poo, e as pessoas continuaram a poder ir buscar gua.
O muro foi reconstrudo. A polcia foi chamada para evitar novos problemas. Se de dia, tirando os protestos contra o forasteiro, nada aconteceu, pela calada da noite, parte do muro foi dinamitada, permitindo novamente o acesso ao poo.
Mas o proprietrio estava cada vez mais determinado. Voltou a reconstruir o muro, instalou cmaras de vdeo, colocou alarmes, arame farpado, ces de guarda, tudo o que se lembrou. Desta vez, o muro manteve-se de p.
O povo nomeou ento uma comisso para ir falar com o proprietrio. Mas ele no cedeu, o poo era seu, aquela propriedade era sua, tinha-a comprado com o suor do seu trabalho.
Depois da comisso, foi o senhor padre. Bem tentou apelar ao seu corao cristo, mas nada feito. Se Deus estivera com ele todo aquele tempo, ajudando-o a acumular riqueza, tambm esta, com toda a certeza, do lado dele naquele assunto.
Alguns dias depois, j o sol morrera, numa noite calma em que o vento emudecera, estava ele em sua casa, quando os ces comearam a ladrar. Pegou na sua caadeira, e saiu. Depois de verificar tudo da parte de dentro do muro, dirigiu-se ao porto. Abriu-o e espreitou. Nesse momento, um tiro quebrou o silncio da noite, e uma bala certeira atingiu-o.
Atordoado, cambaleou, procurou as suas ltimas foras, e num ltimo instinto protector, fechou o porto da sua propriedade, antes de cair, morto.

Dizia-se que a água do poço era santa, quem dela bebesse, os seus males curava. Era uma água única. Diziam os filhos da terra que de Verão era fresquinha e que de Inverno até fumegava. O progresso chegou e trouxe consigo a água canalizada, mas o povo não esqueceu o poço. Todos os dias bebiam pelo menos um copo da sua água, quando estavam doentes, bebiam toda a que podiam.
Mas o poço estava ao lado de uma mansão abandona. Um dia, um forasteiro comprou a casa, e com ela o poço, e mudou-se para lá. Era um homem da cidade, que resolvera ir respirar ares menos poluídos.
No primeiro dia que chegou lá, viu algumas pessoas irem buscar água. Mandou-os embora. Eles não obedeceram, que a água do poço era de todos. Perante os seus ares ameaçadores, recuou.
Na semana seguinte, começou a ser erigido um muro à volta da casa e do poço. Numa semana ficou pronto. No dia seguinte, deitaram abaixo parte do muro, junto ao poço, e as pessoas continuaram a poder ir buscar água.
O muro foi reconstruído. A polícia foi chamada para evitar novos problemas. Se de dia, tirando os protestos contra o forasteiro, nada aconteceu, pela calada da noite, parte do muro foi dinamitada, permitindo novamente o acesso ao poço.
Mas o proprietário estava cada vez mais determinado. Voltou a reconstruir o muro, instalou câmaras de vídeo, colocou alarmes, arame farpado, cães de guarda, tudo o que se lembrou. Desta vez, o muro manteve-se de pé.
O povo nomeou então uma comissão para ir falar com o proprietário. Mas ele não cedeu, o poço era seu, aquela propriedade era sua, tinha-a comprado com o suor do seu trabalho.
Depois da comissão, foi o senhor padre. Bem tentou apelar ao seu coração cristão, mas nada feito. Se Deus estivera com ele todo aquele tempo, ajudando-o a acumular riqueza, também esta, com toda a certeza, do lado dele naquele assunto.
Alguns dias depois, já o sol morrera, numa noite calma em que o vento emudecera, estava ele em sua casa, quando os cães começaram a ladrar. Pegou na sua caçadeira, e saiu. Depois de verificar tudo da parte de dentro do muro, dirigiu-se ao portão. Abriu-o e espreitou. Nesse momento, um tiro quebrou o silêncio da noite, e uma bala certeira atingiu-o.
Atordoado, cambaleou, procurou as suas últimas forças, e num último instinto protector, fechou o portão da sua propriedade, antes de cair, morto.



fotos: aNa
como disse na altura, não houve avião para nos levar de Benguela para Luanda, e tivémos de fazer a viagem de jipe durante a noite. irá fazer mais logo, quinze dias.
chovia imenso. os primeiros cem quilómetros em terra batida cheia de altos e baixos. a táctica é sempre andar com um rodado na berma e ou outro na estrada. como chovia muito e as bermas estavam mais fofas, raramente se optou por essa alternativa.
viajávamos há cerca de duas horas, tinha eu acabado de fechar os olhos e sinto o carro a deslizar para a minha direita, a inclinar-se e ouvi dizer “já fomos!”. antes, já estávamos! enterrados e como carro a tombar para a ribanceira. que depois verificarmos ser pequena, mas ainda assim suficiente para capotarmos e a viagem ficar por ali.
saímos do carro, ainda a tremer com medo que ele se virasse. lá fora, escuro como breu e só os ruídos da mata. lindo! aos poucos os olhos foram-se habituando à escuridão e já víamos muito bem – estava lua cheia, embora as nuvens só deixassem passar alguma claridade.
começaram a procurar uma árvore suficiente forte para amarrar o guincho eléctrico, que nos permitiria tirar o jipe e seguir viagem. à volta algumas árvores mas nenhuma com a grandeza que se impunha. e não podíamos correr o risco do guincho se soltar, pois aí é que o jipe tombava de vez!
não podendo recorrer à mãe natureza, só nos restava esperar que alguns dos carros que tínhamos passado há imenso tempo conseguissem alcançar-nos. o que poderia levar horas, visto haver um pouco antes uma povoação e eles poderem lá parar para descansar.
ouço dizer “vem aí um carro”. eu olho e não vejo luz nenhuma. só passado uns minutos é que consegui vislumbrar alguma claridade. isto, quem sabe, sabe, quem não sabe fica triste! era um autocarro. depois, a operação foi fácil. atar o guincho, pegar no comando e aí vai disto: jipe fora de perigo!
poderia ter demorado horas. eu, com a mania que ganhei no futebol de cronometrar tudo, olhei para o relógio quando saí do jipe: 01h22m. às 01h40m estávamos com o jipe pronto para seguir!
prova superada em contra-relógio!

Isabel Pires de Lima tem sido criticada por no ter uma estratgia clara para a Cultura. Depois de a ouvir com ateno, fiquei com a impresso de que o problema no ser exactamente falta de estratgia, antes excesso de ambio, idealismo e depois, falta de planos de aco.
A Ministra aponta como prioridade a Internacionalizao da cultura portuguesa, partindo do princpio de que fazer diplomacia cultural tambm fazer diplomacia econmica. No podamos concordar mais. Na verdade, j era tempo de algum evidenciar esse aspecto, mas ela no avana com medidas concretas.
A Ministra aponta a Conservao Preventiva como outra prioridade – no s do patrimnio edificado, como do livro antigo, por exemplo – ou seja, mudar a arquivstica. No podamos concordar mais, mas ela no avana com medidas concretas. (se souberes de qualquer coisa, Bilhas, informa-nos)
Outro grande objectivo do actual Ministrio da Cultura o de incluir Portugal na rota das grandes exposies da Europa. Para isso prosseguem as negociaes (que j tm um histrico de dez anos) para a fixao da coleco de arte do comendador Joe Berardo em Portugal, que seria integrada num novo Museu de Arte Contempornea, em Lisboa. Por agora todos parecem optimistas, Joe Berardo incluido! Porque se trata de uma negociao, e no de uma doao, est previsto um “elevado esforo financeiro” por parte do Estado, mas a Ministra no adianta valores! Outra notcia fantstica a provvel celebrao do Protocolo Hermitage. O Museu Hermitage um dos maiores do mundo e faz circular as suas exposies na Europa e EUA. Se este acordo for assinado, a partir de 2010, Portugal passa a ser o terceiro ponto da Europa onde essas exposies podero ser vistas. Preocupante: o Protocolo est quase a ser assinado mas, diz a Ministra, s agora foi criada uma comisso para oramentar o projecto!?
Outra grande aposta estratgica da Ministra a Descentralizao. Eu acho que uma excelente ideia dinamizar a rede de Cineteatros, concertando programao e oferta, optimizando recursos. Porque a cultura “ um veculo de qualificao dos portugueses”, excelente que o Estado aposte nos Servios Educativos desses organismos e incentive programaes para o pblico escolar. Com o projecto “Territrio das Artes”, o Ministrio pretende ainda fazer uma “divulgao local” das artes. So s boas ideias! Mas, a comear pelo caso da nomeao do novo Director do Teatro Nacional, da responsabilidade do poder central, a acabar nas nomeaes dos Directores dos Cineteatros pelos Presidentes de Cmaras Municipais, verificamos que o critrio a que se obedece no tanto o da competncia mas mais o da cor poltica. Em Aveiro, ps-autrquicas, o novo executivo camarrio (PSD-CDS) “despediu” o recentemente investido Director do Teatro Aveirense… que era Paulo Ribeiro, ex-Director Artstico da Fundao Gulbenkian e, crime maior, simpatizante socialista! Temos uma Cmara sem competncia no domnio artstico a demitir um programador cultural qualificado! OK!
A Ministra diz que muda Direces porque quer mudar correntes. V as crticas como naturais “quando se incomoda os interesses instalados”. Fico toa! que ela capaz de ter alguma razo! Mas como quebrar o ciclo? Como no instalar novos interesses… que no so os nossos, nem os da Ministra, que, sem pessoal competente, no descentraliza nada nem qualifica pblico algum!
PS: Que no se conclua destas palavras que responsabilizo o Estado, ou o PS ou o PSD, pelo atraso portugus em matria de produes e consumo culturais. Ele h a Escola, pois! E os Media, pois! E o Estado pode regular e legislar melhor, claro! Mas na verdade, acho que tempo de nos responsabilizarmos todos por este estado de situao. Quando escolhemos a TVI, ou a novela brasileira, ou o Circo das Celebridades, quando deixamos o Teatro l da terra s moscas, no sabemos onde fica o Cineclube local, no lemos mais que um ou dois livros por ano, fazemos uma opo em termos do pas (e do mundo) que queremos para ns, ou no?

Isabel Pires de Lima tem sido criticada por não ter uma estratégia clara para a Cultura. Depois de a ouvir com atenção, fiquei com a impressão de que o problema não será exactamente falta de estratégia, antes excesso de ambição, idealismo e depois, falta de planos de acção.
A Ministra aponta como prioridade a Internacionalização da cultura portuguesa, partindo do princípio de que fazer diplomacia cultural é também fazer diplomacia económica. Não podíamos concordar mais. Na verdade, já era tempo de alguém evidenciar esse aspecto, mas ela não avança com medidas concretas.
A Ministra aponta a Conservação Preventiva como outra prioridade – não só do património edificado, como do livro antigo, por exemplo – ou seja, mudar a arquivística. Não podíamos concordar mais, mas ela não avança com medidas concretas. (se souberes de qualquer coisa, Bilhas, informa-nos)
Outro grande objectivo do actual Ministério da Cultura é o de incluir Portugal na rota das grandes exposições da Europa. Para isso prosseguem as negociações (que já têm um histórico de dez anos) para a fixação da colecção de arte do comendador Joe Berardo em Portugal, que seria integrada num novo Museu de Arte Contemporânea, em Lisboa. Por agora todos parecem optimistas, Joe Berardo incluido! Porque se trata de uma negociação, e não de uma doação, está previsto um “elevado esforço financeiro” por parte do Estado, mas a Ministra não adianta valores! Outra notícia fantástica é a provável celebração do Protocolo Hermitage. O Museu Hermitage é um dos maiores do mundo e faz circular as suas exposições na Europa e EUA. Se este acordo for assinado, a partir de 2010, Portugal passa a ser o terceiro ponto da Europa onde essas exposições poderão ser vistas. Preocupante: o Protocolo está quase a ser assinado mas, diz a Ministra, só agora foi criada uma comissão para orçamentar o projecto!?
Outra grande aposta estratégica da Ministra é a Descentralização. Eu acho que é uma excelente ideia dinamizar a rede de Cineteatros, concertando programação e oferta, optimizando recursos. Porque a cultura “é um veículo de qualificação dos portugueses”, é excelente que o Estado aposte nos Serviços Educativos desses organismos e incentive programações para o público escolar. Com o projecto “Território das Artes”, o Ministério pretende ainda fazer uma “divulgação local” das artes. São só boas ideias! Mas, a começar pelo caso da nomeação do novo Director do Teatro Nacional, da responsabilidade do poder central, a acabar nas nomeações dos Directores dos Cineteatros pelos Presidentes de Câmaras Municipais, verificamos que o critério a que se obedece não é tanto o da competência mas mais o da cor política. Em Aveiro, pós-autárquicas, o novo executivo camarário (PSD-CDS) “despediu” o recentemente investido Director do Teatro Aveirense… que era Paulo Ribeiro, ex-Director Artístico da Fundação Gulbenkian e, crime maior, simpatizante socialista! Temos uma Câmara sem competência no domínio artístico a demitir um programador cultural qualificado! OK!
A Ministra diz que muda Direcções porque quer mudar correntes. Vê as críticas como naturais “quando se incomoda os interesses instalados”. Fico à toa! É que ela é capaz de ter alguma razão! Mas como quebrar o ciclo? Como não instalar novos interesses… que não são os nossos, nem os da Ministra, que, sem pessoal competente, não descentraliza nada nem qualifica público algum!
PS: Que não se conclua destas palavras que responsabilizo o Estado, ou o PS ou o PSD, pelo atraso português em matéria de produções e consumo culturais. Ele há a Escola, pois! E os Media, pois! E o Estado pode regular e legislar melhor, é claro! Mas na verdade, acho que é tempo de nos responsabilizarmos todos por este estado de situação. Quando escolhemos a TVI, ou a novela brasileira, ou o Circo das Celebridades, quando deixamos o Teatro lá da terra às moscas, não sabemos onde fica o Cineclube local, não lemos mais que um ou dois livros por ano, fazemos uma opção em termos do país (e do mundo) que queremos para nós, ou não?


Casamento em Portugal.
Sintra, onde o actor passou a lua de mel com a ex-mulher, ter sido o local escolhido.
(No me parece que tenha sido uma boa ideia, esta de reviver o passado em Sintra.)
Fonte: Sic Notcias, 30.03.2006, 9:00h