Arquivos para Outubro 12th, 2006

h1

O misterioso desaparecimento do líder carismático – episódio 1

Outubro 12, 2006

Era uma vez um líder carismático. Por onde passava, todas as pessoas olhavam. Alguns chegavam mesmo a aplaudir. Ninguém o apupava. Tinha em si algo de sedutor, de inabalável, inquebrantável nos seus ideais, intransponível nas suas batalhas, parecia não ter pontos fracos. Mas tinha…

Quando via um Cozido à Portuguesa não conseguia resistir, especialmente se tivesse morcela. Durante longos anos, o seu staff conseguiu encobrir esta informação ultra-secreta. Um dia houve em que quase se descaiu, em pleno debate parlamentar, quando salivou perante a acusação de estar a fazer uma proposta que mais parecia um Cozido à Portuguesa. No entanto, o segredo parece ter sido descoberto.

Hoje, sentindo um cheiro irresistível a Cozido à Portuguesa, trocou as voltas aos seus guarda-costas, e seguiu o irresistível aroma. Os guarda-costas, mais virados para os bifes com batata frita, não conseguiram descobrir o caminho seguido pelo seu protegido. E assim, vítima do mais elementar pecado da gula, o líder carismático desapareceu e nunca mais foi visto. Registe-se que, segundo fontes locais, o cozido em questão cheirava a morcela.

Read the rest of this entry ?

h1

eu já andei muito de táxi

Outubro 12, 2006

Filipe Moreira/Semantix
mapa: Filipe Moreira / Semantix

os tremoços do Bilhas, ali em baixo, fizeram-me recuar uns anitos. poucos. coisa para vinte e um.
num período sabático escolar, eu às vezes descubro-me com umas piadas giras, porque esse período ainda hoje dura, esse e o outro, mas agora não vem ao caso, mas dizia eu, num período de calinice escolar pura e dura, andei a trabalhar com o táxi do meu pai. um peugeot 504 com tecto de abrir e direcção assistida aos meus pobres bíceps.
eu, que sempre sonhei com os dezoito anos para poder tirar a carta, adorei o desafio.
tinha uma concorrência feroz, já que os meus colegas da praça não me achavam grande piada e tentavam por tudo que eu não tivesse clientes. isto numa vila algures no centro do país, chamada Miranda do Corvo. mas aos poucos, e muito em parte pelos conhecimentos do meu pai, fui arranjando uma clientela fixa, na sua maioria mulheres.
o dia de maior movimento era a quarta-feira, dia da feira semanal, muito concorrida e uma das melhores das redondezas. claro que a clientela era, na sua maioria, gente que vinha vender as suas coisas à feira. o que quer dizer que no máximo às sete horas tinham de lá estar, com pena de não encontrarem os melhores lugares de venda.
começava às seis da manhã. em direcção a sul e virava para Godinhela. um pouco mais à frente, numa aldeola quase desabitada, apanhava um casal de velhotes, muito querido, sempre juntos para todo o lado, e que aproveitavam o dia da feira para irem ao médico, sempre poupavam nas viagens. recordo o cheiro intenso a fumo da lareira, que as suas roupas deitavam.
de seguida, voava em direcção a Lamas, para ir buscar a D. Ilda. tinha de aproveitar para andar depressa quando não levava passageiros. para além de não os querer assustar, arriscava-me a que eles andassem numa montanha russa no banco de trás, tal a quantidade de rectas que as estradas tinham. lá trazia calmamente a D. Ilda, porque ainda era cedo. na viagem de regresso, por volta das quatro da tarde, a D. Ilda já não estava tão calma. os almoços, meus caros, os almoços consistentes pediam acompanhamento.
a saga dos fixos da manhã terminava com uma ida ao Padrão, na estrada que vai para a Lousã. aí, tinha três clientes que eu adorava. mãe e duas filhas, as três bem preenchidas de carnes, e com uma disposição fantástica. saía do carro, abria a mala e elas carregavam-na o quanto podiam com sacos de tremoços! cozidos, claro! quando as largava na praça, deixavam-me um saco com três ou quatro medidas, que eu ia devorando com o passar da manhã.

e pronto, foi disto que me lembrei, quando vi o post do Bilhas.

talvez um dia fale da bruxa de Godinhela, do Carlos do Gondramaz, das minhas idas à feira dos Cabaços ou da senhora que levei à Casa do Gaiato para ver o neto e que, ao ver que eu chegava à hora certa que tínhamos marcado para o regresso, vira-se para mim e diz “oh homem, você é mesmo pontual!”

Read the rest of this entry ?

h1

Day Dream

Outubro 12, 2006

Jacinta Sintra 2004.jpg

Day Dream é o nome do último álbum de Jacinta. Este mês ela iniciou uma digressão pelo país e ontem assiti ao espectáculo. Forma um belo quinteto com Rui Caetano (piano), Jorge Reis (sax), João Custódio (contrabaixo) e João Lencastre (bateria). Ouvir canções de Duke Ellington ou Thelonious Monk em português, recordar António Carlos Jobim ou até Zeca Afonso, tudo é possível, a voz de Jacinta é sempre quente.

Read the rest of this entry ?

h1

O prometido é devido

Outubro 12, 2006

Ontem contei-vos que já resolvi (temporariamente) o problema do Word. Hoje vou explicar-vos o que me foi solicitado para que o spy (ou seria vírus?) fosse aniquilado. Entre aspas a tradução dos textos originais, de uma forma resumida para não maçar muito os seguidores deste mistério.

Depois de ter entrado na chamada “reparação de processadores de texto contra vírus de alteração de código” foi-me colocado um problema, o tal que me deu alguma água pela barba, e que se enunciava assim:

“Deverá entrar com uma chave de codificação, constituída por nove mensagens de 4 bits (0 e 1). As mensagens são as seguintes:
0000, 0011, 0100, 0110, 0111, 1011, 1100, 1101 e 1110.
Estas mensagens serão enviadas a 9 servidores diferentes de tal forma que o primeiro lerá uma mensagem de 4 bits, o segundo lerá a mensagem, também de 4 bits a partir do terceiro bit e assim sucessivamente. Apenas o nono computador terá a faculdade de lhe enviar o download de reparação, e a chave só será validada se cada um dos oito computadores antecedentes conseguir ler, pela regra enunciada, um mensagem que reconheça. Faça-o entrando com a chave na janela ao lado que como é fácil de notar contém apenas 14 posições”.

Nesta fase cocei a cabeça. Não sabia se estava a entender bem a questão, mas ‘eles’ foram simpáticos a dar-me um exemplo.

“Preste atenção ao exemplo. Se você tivesse que enviar apenas 2 códigos, tais como 1011 e 0110, com as regras expostas poderia fazê-lo enviando 011011”.

E foi assim, colocando a chave … bom é melhor não dizer qual e dar-vos a oportunidade de descobrirem por vós próprios. Se nada de estranho acontecer de novo, ficarei por aqui. Caso contrário voltarei, com todo o prazer (mórbido) contar-vos o que me vai acontecendo a este computador.

Read the rest of this entry ?

h1

Mil e quinhentos

Outubro 12, 2006

road - rick lundh.jpg
Foto: Rick Lundh

1500. Dizem que foi o ano em que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. 1500 foi também o ano em que nasceu Ana Bolena, a segunda mulher de Henrique VIII. Poderão ver como era o mapa da Europa no ano de 1500. Ou até a sua distribuição religiosa. Uma das nossas operadoras de telefonia celular tem o serviço 1500, que é um serviço noticioso. E quando 15 dias faltavam para findar o ano de 1500, fina-se o cronista Pêro Vaz de Caminha. Poderiamos estar aqui horas a falar de 1500 e depois partir em alta velocidade na nossa Kawasaky 1500. Mas não, não nos vamos embora, ficamos mesmo por aqui. Na verdade, só queríamos dizer que este é o post 1500 do Ante-et-Post.
Brummmmm sempre a abrir!

Read the rest of this entry ?

h1

Fashion

Outubro 12, 2006

smoke - maris ojasuu.jpg
Foto: Maris Ojasuu

Read the rest of this entry ?