Arquivos para Outubro 19th, 2006

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O misterioso desaparecimento do líder carismático – episódio 5

Outubro 19, 2006

Hard ficou sem palavras. Nem sabia o que dizer, perante a imagem da digníssima esposa do líder carismático. Várias perguntas assolaram a sua mente hábil de detective:
- Por que razão a digníssima esposa do líder carismático queria ver-se livre das couves de Bruxelas?
- Por que motivo teria o líder carismático passado por casa antes de desaparecer?
- Como era possível o local para onde as pegadas se dirigiram ser o mesmo com maior média de mulheres voluptuosas por metro quadrado?
- Porque é que as cozinhas das mansões nunca têm microondas?

Antes que continuasse a pensar em coisas mais esquisitas, a digníssima esposa do líder carismático deu meia-volta, dizendo para Hard:
- Acompanhe-me, por obséquio.

Hard consultou rapidamente o seu dicionário de bolso e, verficando que “obséquio” não era uma palavra imprópria para uma digníssima esposa do líder carismático, seguiu-a. Dirigiram-se até à sala, onde se sentaram num sofá, com uns convenientes 50 cm a separá-los, reduzidos para apenas 20 quando Hard deparou com a visão extraordinária do decote da digníssima esposa do líder carismático após esta se ter debruçado. É que em ocasiões destas, ele não conseguia disfarçar o seu nervosismo, e colocava logo entre os lábios um cigarro king size.

Foi então que a digníssima esposa do líder carismático lhe tirou o cigarro dos lábios, e levando-o aos seus, sorveu-o de uma forma que deixou Hard sem saber o que fazer. Depois, virando-se para ele, disse numa voz melosa:
- Hum, malandreco, a beber em serviço… Pelo menos tem bom gosto, um Jameson é sinal de requinte para um detective. Pensei que todos os detectives bebiam Jack Daniel’s.

Hard ficou extasiado. De repente, à sua frente, já não estava a digníssima esposa do líder carismático, mas sim uma mulher deveras interessante e que tinha uma perspicácia digna dos melhores detectives que já conhecera. Lembrou-se então das palavras sábias que uma mulher lhe disse no meio da rua:
- Quando estiveres perante uma mulher interessante, se olhares para o céu e vires muitas estrelas, então ela é a mulher da tua vida.

Hard tinha de confirmar se aquela era a mulher da sua vida. Levantou-se e dirigiu-se até à janela mais próxima. Olhou para o céu, levou uma pancada forte e viu estrelas.

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breve

Outubro 19, 2006

queria-te breve,
num frémito desesperado
incontido
explosivo.
e saciar este meu desejo
que borbulha na pele
e
me transtorna o raciocínio.

aqui

olhem, é só para que saibam que eu ando extremamente apaixonada! :)

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Vai começar a histeria,

Outubro 19, 2006

pregnancy - andre napier.jpg
Foto: Andre Napier

e eu não vou ter paciência para ouvir, de novo, de um lado e de outro, posições extremadas.
Nestas matérias de valores individuais, de valores morais, o bom senso nunca impera.
Caso este referendo opte pelo sim, na prática, pouco muda na vida das mulheres. As que optarem por fazer um aborto continuarão a fazê-lo. As que não o quiserem fazer, não farão.
Mas muda uma coisa importante. Quem tiver de fazer um aborto, pode fazê-lo de uma forma digna. Não vai necessitar de telefonar a marcar “o tratamento”, responder a perguntas codificadas, tudo no maior dos segredos como se tivesse a transaccionar uma qualquer mercadoria ilícita. Pode chegar e sair da clínica, sem ter de olhar para trás, por cima do ombro. Pode pagar com cheque ou cartão, ao invés daquele molho de notas que não deixa rasto. O que se pretende, com este referendo, é descriminalizar.
E deixem-se de hipocrisias, senhores deputados. Podem escrever na pergunta do referendo ABORTO em vez de Interrupção Voluntária de Gravidez ou LIBERALIZAÇÂO em vez de despenalização. Os eleitores sabem o que querem e não se deixam enganar.
O anúncio, hoje, exactamente hoje, da possível abertura de uma filial da Clínica dos Arcos em Lisboa, também não me parece isenta de segundas intenções. Até já estou a ouvir – ” Vai começar a carnificina, ao abrigo da lei.”

A pergunta que se propõe para o referendo é:
Concorda com a despenalização da interrupção oluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?

SIM

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